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Sempre que vou viajar, não importa se de avião ou de ônibus, fico na expectativa de que, na poltrona ao lado, esteja uma pessoa simpática e com a qual eu possa bater um bom papo. Neste último fim de semana não foi diferente.

Depois de quase perder o vôo para Salvador – entrei na nave, exatamente, 10s antes de a comissária de vôo dizer “embarque encerrado” – caminhei em direção à poltrona 6A e vi que na 6B havia um senhor idoso, aparentando uns 60 anos. Ele, gentilmente, levantou-se para eu me sentar e, a partir daquele ato educado, iniciamos um diálogo.

Quando percebi, já estava totalmente absorta no papo experiente do “velho”. Arnold é o seu nome. No primeiro momento não entendi muito bem. “Igual aquele cara lá dos states, ator que virou político”, ele esclareceu. Sessenta e nove anos, casado há 48, sendo que os vários olhares para o relógio de pulso revelavam o amor por sua esposa. “É a ansiedade de encontrar minha esposa”, confessou ele. “Sem ela eu não vivo, não! Ela é minha vida”, acrescentou, com aquele brilho nos olhos, similar a de um jovem apaixonado.

O brilho nos olhos de Arnold deixou-me um tanto “encafufada” e despertou-me a curiosidade de como um senhor com tamanha experiência de vida poderia ser tão apaixonado pela mulher. Sobretudo, nos dias de hoje, em que tudo e todos são descartáveis, em que a ânsia por trocar de parceiro é tão comum, que chegamos a nos espantar quando nos deparamos com um casamento duradouro. A impressão que tenho é que os sentimentos seguem a mesma linha dos eletrodomésticos, onde “nada é feito para durar”.

Com um sorriso nos lábios, resolveu contar-me a sua história. Ele se apaixonou pela sua mulher mesmo antes de conhecê-la pessoalmente. Ao ver a sua foto no mostruário de um fotógrafo, ele perguntou: “quem é a moça bonita?” Ao saber que ela também era baiana, ele disse: “Ué, eu também sou baiano, então, me dá aí o endereço dela”. E lá se foi ele, aos 21 anos, em busca de seu amor à primeira imagem.

Quando a encontrou, apresentou-se, dizendo: “Olá, você não me conhece, mas, eu sou baiano e quero que seja a mãe dos meus filhos”. Ela riu. E dentro de um mês e 27 dias eles estavam casados e assim permanecem até hoje, por 48 anos. Como se já não bastasse o meu espanto, o velho ainda diz: “Ah, e ela era noiva. Mas pra mim não teve problema, não! Eu me apaixonei por ela, tomei ela do noivo e casei! O coitado Chegou até a tomar veneno por desgosto, mas, por sorte, sobreviveu”, contou o seu Arnold, rindo com os olhos, como o de quem relembra uma história engraçada.

Hoje, ele faz questão de enfatizar: “Tenho uma esposa maravilhosa, dois filhos homens e 10 netos. E amo a minha esposa. Quando ela morrer e, se for primeiro que eu, acho que eu não consigo viver mais”. Eu estava de óculos escuros no momento dessa revelação, tentando esconder as lágrimas que se formavam em meus olhos. Fiquei muito feliz por conhecer essa linda história. Mas, será que ainda é possível viver um amor assim? Bem, não sei. Contudo, quem sabe? O que não podemos é perder a esperança.

Atrás do balcão

Fiquei estarrecida com a falta de educação e vontade não vender da moça do 40 sabores, no shopping Praia da Costa. Eu chego, lindamente e morrendo de vontade de tomar um açaí e pergunto: _Moça, é vc mesma que faz?
Ela, ao telefone, pede para o cara do outro lado da linha esperar um min e responde: _Sou eu que faço, mas não posso fazer pra vc não.
_Por quê?
_Porque eu só estou esperando minha patroa chegar pra ir embora.
_Tá, mas ela não chegou ainda. Vc pode fazer rapidinho enquanto ela não chega?
A moça virou os olhos e disse: _Olha, eu já disse que não vou fazer. Agora, dá licença que eu tô ocupada.
E eu saí, quase não acreditando no “excelente” atendimento que recebi.
Eu saí do shopping e fui tomar açaí no concorrente. Mas ela, coitada, desse jeito, vai passar a vida atrás do balcão.

ps: sem preconceito com os que trabalham atrás do balcão e fazem bem o seu trabalho

Forró

Como canta o Trio Nordestino, “Ele veio do fundo do quintal/ Hoje é maioral nos palhoções/ Ta valendo milhões/ Esse forró ta valendo milhões”. Esse ritmo, que quando toca encanta, faz seu coração tilintar ao som do triângulo e bailar ao ritmo da Zabumba. O dedilhar na sanfona agita o salão e é o que traz vida e sentimento à dança. No forró não existem classes sociais, nem feios, nem bonitos. No forró há forrozeiros. Claro que há aqueles que querem xamegar ao som do xote ou arroxar na hora do xaxado. Mas, no geral, o objetivo é dançar. O que vier em consequência disso, enfim, é mera coincidência.

Não resisti. Tive que expressar meu desapontamento. Fui ao site do Renato Casagrande e tentei postar uma mensagem no mural de recados. Deu erro várias vezes. Por isso, mandei como forma de mensagem, e, para quem quiser ter acesso, vou disponibilizar meu desabafo aqui neste post.

Segue o print da página, para mostrar que tentei fazer a postagem. Caso essa mensagem seja abafada por sua assessoria, pelo menos, para a minha rede de amigos e pessoas que me lêem, a mensagem vai ter existido.

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Venho pedir a todos os capixabas de bom senso neste estado que levem em consideração este post e participem do ato público, que vai acontecer no dia 18 de novembro, a favor da nossa candidata Dilma Rousseff. O evento vai ser realizado às 18 horas, no Álvares Cabral, onde estarão figuras políticas importantes do Espírito Santo. Faça parte dessa corrente. Não vamos permitir que o PSDB chegue novamente ao poder.

Estava lendo o jornal hoje pela manhã e estou vendo que, nessa reta final das eleições presidenciais, o Serra vai usar a questão do aborto contra a Dilma. Mas o que me indigna não é nem a questão de se discutir o aborto, até porque, este como uma questão de saúde pública deve ser discutido. Mas sim adotar a bandeira “todos contra o aborto” como uma estratégia de campanha.

Eu, como mãe, também sou contra a prática do aborto na maioria dos casos. Contudo, como cidadã brasileira, não me vejo no direito de tomar uma postura tão radical, tendo em vista que muitas adolescentes morrem todos os dias nos corredores dos hospitais e em clínicas clandestinas devido a um aborto mal sucedido. Por isso, acredito que devemos repensar e analisar o discurso de cada candidato. O futuro presidente não pode ser visto como moralista, e sim como aquele que pensa no melhor para a sua nação em detrimento, até mesmo, dos seus valores pessoais.

O aborto deve ser tido pelos candidatos à presidência não como uma questão de princípios, mas sim como uma questão de governo.

Está dado o recado.

Busca frenética

Eu e minha amiga Marianne estamos a poucos dias de nossa próxima viagem mais esperada: Rootstock 2010. É um festival de forró que acontece em Cabreúva este ano. Serão mais de 20 trios de forró em quatro dias. Nossos pés que nos aguardem, pois vamos precisar muito deles nestes dias.

Como toda viagem, essa também está nos dando certa dor de cabeça. Não tínhamos muita noção de que seria tão caro ir para Sampa, e contávamos também com uma “promoçãozinha” da Gol, Azul ou Tam. Mas, como ela não veio, acabamos por comprar a passagem de ida na Águia Branca. Ida, apenas, pois para a volta ainda nos restava a esperança de uma promoção. Há um fim de semana do Roots e nada, decidimos, freneticamente, ir à busca de nosso destino: uma passagem de avião barata (ou menos cara).

Mari, exatamente às 19 horas, anuncia pra mim no msn: “Mi, estou vendo avião, tentando casar Rio com São Paulo e diminuir oito horas da nossa viagem.” Então, beleza. Comecei a procurar também. Enquanto ela olhava WebJet, eu olhava Gol. Invertíamos os trechos, olhamos na Azul e nada. Trip não tinha nem mais voos para o dia 12. Enfim, só nos restava TAM, a R$ 260,00. E nessas idas e vindas de trechos pensamos no forró de “esquenta” do Roots que vai rolar no Remelexo (uma casa de forró super conhecida de Sampa) um dia antes do Festival. Decidimos olhar ida também. Mas tudo conspirava contra. Não contra nós, efetivamente, mas contra o nosso bolso, ainda, universitário.

Por fim, às 20h12 decidimos nos conformar com a nossa ida de ônibus e com a volta (menos cara) da TAM. De volta à estaca inicial.

Como diz a Mari, a viagem está saindo mais cara do que a gente imaginava, mas… acho que a gente esquece isso depois de dançar muito o velho e bom forró pé de serra.

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